quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
The Cage - Tygers of Pan Tang (1983)
Quarto disco da banda, lançado entre 1982 e 1983.
Uma palavra define esse disco: FAROFA.
É um disco marcado por uma orientação bem comercial, que resultou na época 200.000 cópias vendidas, emplacando com 2 músicas no Reino Unido, Rendezvous e Love Position Number 9, uma famosa canção de Jerry Leiber e Mike Stoller que já foi tocada por bandas como Ronnie James Dio and The Prophets, The Ventures, White Stripes e Robert Plant.
Muito dessa orientação ao mercado é pressão de gravadora. Foi um momento difícil para a banda que teve um grande desentendimento com a MCA, que não estavam preparados para promovê-los, a menos que tocassem mais covers. Eles posteriormente tentaram rescindir seu contrato, mas as exigências da MCA ultrapassaram a vontade de qualquer outra gravadora de pagar para liberar a banda, então a banda se separou em meio a um grande sentimento de frustração.
A frustração dos membros do grupo se estenderam, obviamente, aos fãs que viram The Cage mais como um disco do Def Leppard do que do Tygers of Pan Tang.
Eduardo Rivadavia, crítico do Allmusic, escreveu que o disco representa um declínio vertiginoso da banda. Na verdade ele não está tão errado. Apesar de NÃO ser um disco ruim, há claramente aqui um trabalho bem menos inspirado do que a banda poderia fazer. A pujança dos dois primeiros discos (Wild Cat e Spellbound) quase não existe mais praticamente. Desde o Crazy Nights, o terceiro disco da banda, vemos a banda dando sinais de que entraria de cabeça num Hard Rock bem mais comportado.
Por essa escolha estilística (que nem é tão escolha assim) o disco torna-se datado pois é carregado de clichês da época. Músicas como "Rendezvous", "Letter from L.A." e "Lonely at the Top", mostram harmonias bregas de coros vocais e sintetizadores desnecessários. Ouvindo hoje o disco ele pode resgatar um sentimento nostálgico e pode agradar. Esses clichês musicais do Hard Rock são aqueles exageradamente explorados em trilha de filmes como Rocky, com o Survivors, filmes que eu cresci vendo.
É um disco comercial, eu concordo, é um declínio vertiginoso, eu concordo.
Só discordo de muitos ao dizer que é um disco insuportável, não é. As músicas são no mínimo agradáveis, quase todas elas, com suas melodias pegajosas. Refrões como em "The Actor" e "Paris by Air" são inconfundíveis e, sem dúvida, criar melodias grudentas é um certo talento. Apesar de muitos torcerem no nariz sem a farofa no Hard Rock farofa a vida seria um erro.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Deep Purple - Stormbringer (1974)
Lançado em 1974 Stormbringer é o nono disco de estúdio do Deep Purple.
Não se trata de um disco fácil para quem é acostumado com algumas características da banda, a surpresa do disco é inserir elementos de Funk e Soul nas músicas. Essa mistura pode soar interessante para alguns e um pouco decepcionante para outros. Ritchie Blackmore está entre esse "outros". Ele se incomodou bastante com o andamento do disco pois nunca foi muito entusiasta dos estilos. É, inclusive, o disco que vai marcar a sua saída da banda. Depois da turnê européia de divulgação do álbum, Blackmore deixa o grupo em 7 de abril de 1975 para formar o Rainbow com alguns membros do Elf, o vocalista Ronnie James Dio (vocês devem conhecer), o tecladista Mickey Lee Soule, o baixista Craig Gruber e o baterista Gary Driscoll.
Talvez o disco realmente possa ser visto como "morno" pois ele saiu logo depois do fantástico Burn, ainda no mesmo ano. Isso pode ter dado ao disco uma espécie de "aura" de sobras do disco anterior.
Isso não quer dizer que é um disco ruim, muito pelo contrário, se toda "sobra" fosse assim tão boa eu estaria muito feliz.
No entanto as comparações são inevitáveis, enquanto Burn é um disco feroz e agressivo o Stormbringer é um disco mais suave.
Algumas músicas tem um andamento lento e relaxante, que não explodem em fúria e dramaticidade, como se espera do Deee Purple, algo como Child in Time. Músicas como Love Don't Mean a Thing, The Gypsy e Holy Man, podem entendiar os mais afetos ao peso e a famosa "pegada" da banda.
Se você conseguir não criar expectativas "deep-purpleanas" nas músicas você conseguirá curtir o disco melhor.
É um disco com outra proposta e deve ser visto como tal.
Se quiser ouvir o Burn escute-o, é simples. A única coisa que você conseguirá identificar de "resquício do Burn" por excelência é Lady Double Dealer e High Ball Shooter que seguem as linhas antes desenhada nas músicas You Fool No One e What's Going on Here.
Holy Man e You Can’t Do It Right (With The One You Love), por exemplo, tem uma clara pegada de Soul nunca antes explorada pela banda, especialmente nas linhas vocais, e Funk, nas linhas instrumentais, e o resultado é interessantíssimo. É um sacrilégio cogitar a menor possibilidade de considerá-las músicas ruins.
Discordo fortemente. É um disco brilhante. Eu destaco todas as músicas e rejeito qualquer análise feita com base no disco anterior sendo que não há, sequer, a mesma proposta. Dado isso, sim, considero Stormbringer um clássico.
Curiosidades:
A capa
A imagem de capa de Stormbringer é baseada numa foto famosa. Em 8 de Julho de 1927 um tornado passou perto da cidade de Jasper (no Estado americano de Minnesota) e foi fotografado por uma moça chamada Lucille Handberg. Uma foto magnífica. Veja abaixo.
A imagem, que por si só já nasceu imortalizada, conseguiu consagrar-se de vez na capa do disco não apenas do Deep Purple, Stormbringer, mas também na capa do disco Tinderbox, de Siouxsie and the Banshees.
O título
Stormbringer é o nome de uma espada mágica descrita em diversos romances de Michael Moorcock, um escritor britânico de ficção-científica e fantasia. Coverdale (que era o co-compositor da música, além de Blackmore) disse desconhecer a origem do termo até o lançamento do disco. Alguns anos mais tarde, Moorcock colaborou com Blue Öyster Cult para escrever "Black Blade", uma canção sobre a espada Stormbringer.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Zipper Catches Skin - Alice Cooper (1982)
Estamos em 1982 e Alice Cooper já está com seu décimo quarto álbum, Zipper Catches Skin, um disco conhecido por ser ao mesmo tempo seco, enérgico e eclético. Inventivo, o disco explora uma mistura de Hard Rock, Pop Rock, Garage, Punk Rock e algumas influências Post-Punks.
Os grandes destaques do disco são certamente os riffs e as letras, a maioria delas genialmente sarcásticas e cômicas.
É o segundo dos chamados "blackouts albuns" de Alice Cooper, álbuns que Alice gravou mas não se lembra de nenhum dos detalhes da gravação pelo abuso de álcool e outras substâncias que utilizava largamente. Os outros dois discos dessa "fase" são o Dada e o Special Forces.
O disco abre com Zorro's Ascent, com excelentes riffs, e segue com Make That Money, uma música mais puxada para o Hard Rock, muito boa também. A música seguinte, I'm the Future, vale um comentário mais específico à parte. Ela esteve presente em um dos dois singles desse disco e foi escrita por Gary Osborne e Lalo Schifrin para trilha sonora do filme canadense "Class of 1984" (um filme bem interessante, diga-se de passagem). Trata-se de uma semi-balada Pop com bastante uso de sintetizadores. A quarta música é No Baloney Homosapiens, uma música que vai te remeter um pouco à fase setentista de Alice, algo entre o disco Billion Dollar Babies (1973) e o Lace and Whiskey (1977). Adaptable segue a linha Hard Rock de Make That Money, um pouco mais melódica, com um refrão bastante grudento e, também, ótimos riffs. I Like Girls, uma das minhas preferidas, segue com um andamento meio Rockabilly. Remarkably Insincere é um Hard mais puxado para o Punk, lembrando um pouco a fase do From the Inside (1978). Tag, You're It dá sequência ao disco com uma interessante base de riffs e vozes meio sussurradas. I Better Be God é a melhor música do disco, com uma abertura de riffs interessantíssimas que lembram de longe Phantom of the Opera do Iron Maiden, e um andamento totalmente puxado para um Rock setentista típico de bandas como Nazareth. I'm Alive encerra o disco na mesma linha de Adaptable e Remarkably Insincere.
Resumindo, pode não ser uma obra prima mas é certamente um bom disco de Rock. Uma prova que Alice Cooper conseguiu sempre manter sua criatividade em evidência, mesmo nas piores fases de sua vida.
Os grandes destaques do disco são certamente os riffs e as letras, a maioria delas genialmente sarcásticas e cômicas.
É o segundo dos chamados "blackouts albuns" de Alice Cooper, álbuns que Alice gravou mas não se lembra de nenhum dos detalhes da gravação pelo abuso de álcool e outras substâncias que utilizava largamente. Os outros dois discos dessa "fase" são o Dada e o Special Forces.
O disco abre com Zorro's Ascent, com excelentes riffs, e segue com Make That Money, uma música mais puxada para o Hard Rock, muito boa também. A música seguinte, I'm the Future, vale um comentário mais específico à parte. Ela esteve presente em um dos dois singles desse disco e foi escrita por Gary Osborne e Lalo Schifrin para trilha sonora do filme canadense "Class of 1984" (um filme bem interessante, diga-se de passagem). Trata-se de uma semi-balada Pop com bastante uso de sintetizadores. A quarta música é No Baloney Homosapiens, uma música que vai te remeter um pouco à fase setentista de Alice, algo entre o disco Billion Dollar Babies (1973) e o Lace and Whiskey (1977). Adaptable segue a linha Hard Rock de Make That Money, um pouco mais melódica, com um refrão bastante grudento e, também, ótimos riffs. I Like Girls, uma das minhas preferidas, segue com um andamento meio Rockabilly. Remarkably Insincere é um Hard mais puxado para o Punk, lembrando um pouco a fase do From the Inside (1978). Tag, You're It dá sequência ao disco com uma interessante base de riffs e vozes meio sussurradas. I Better Be God é a melhor música do disco, com uma abertura de riffs interessantíssimas que lembram de longe Phantom of the Opera do Iron Maiden, e um andamento totalmente puxado para um Rock setentista típico de bandas como Nazareth. I'm Alive encerra o disco na mesma linha de Adaptable e Remarkably Insincere.
Resumindo, pode não ser uma obra prima mas é certamente um bom disco de Rock. Uma prova que Alice Cooper conseguiu sempre manter sua criatividade em evidência, mesmo nas piores fases de sua vida.
domingo, 26 de outubro de 2014
Crítica: Head Over Heels (1971)
Head Over Heels é um power-trio norte-americano (mais especificamente de Detroit) formado por Paul Frank nos vocais e na guitarra, Michael Urso no baixo e John Bredeau na bateria.
A banda teve uma carreira relâmpago, mal começou e já terminou. Eles se formaram em 1970 e acabaram em 1971 deixando apenas um disco para contar a história, Head Over Heels. E QUE DISCO! Trata-se de um material excelente (um dos melhores que eu já ouvi) que flerta Rock pesado, belíssimas baladas e Blues no melhor estilo Led Zeppelin, Black Sabbath, Bad Company, Free, Montrose, Budgie, James Gang e toda essa galera da velha guarda setentista, pra mim a melhor fase do Rock.
Os grandes destaques do disco é a pesadíssima Road Runner e Red Rooster, um cover de Willie Dixon. Porém, mais do que qualquer música em particular Paul Frank é o grande destaque do disco. Ele não é apenas um bom guitarrista mas um bom vocalista também. Não apenas isso, é ele quem conduz as linhas melódicas e o andamento de todas as músicas, foi ele, inclusive que iniciou a banda, Head Over Heels é uma ideia que ele já tinha desde quando ainda estava no colegial.
Sua digital foi impressa nesse disco e, embora tivesse uma carreira muito curta, conquistou o que muito músico não conseguiu conquistar com mais tempo de carreira, seguidores e um certo status de "Cult", que tende a durar pra sempre. Head Over Heels de 1971 ainda hoje é lembrado como um dos melhores discos desconhecidos da história do Rock e material obrigatório para quem gosta de boa música.
sábado, 13 de setembro de 2014
Dica Independente - Facção Caipira
Estou iniciando aqui a sessão "Dica Independente" do blog que tem como objetivo de apresentar bandas menos conhecidas do Brasil. O único critério aqui é se eu gostar da banda., então, se você confia no meu julgamento você poderá gostar das bandas que serão apresentadas aqui.
A primeira banda é Facção Caipira, uma banda de Blues Rock bastante interessante.
Segue a descrição posta em seu Facebook:
Grupo de indivíduos partidários lutando pela mesma causa: Um blues pra lá de rock ‘n roll.
Caipira indisposto a seguir tendências, trilha de sandálias fazendo barulho por todo lugar que passa.
E assim que tiraram os freios dessa carroça, sem direção hidráulica ou ar condicionado, FACÇÃO CAIPIRA toma a estrada da musica a todo galope!
FACÇÃO CAIPIRA nasceu em casa em 2009 com sua primeira formação, com Jan Santoro no Violão, João Victor Rolim na Guitarra, Vinicius Camara no Baixo e Tieê Ortlieb com a intenção de tocar o que gosta e cantar o que quiser. Hoje conta com a presença de Daniel Leon na Gaita e de Renan Carriço na bateria - ainda com a mesma intenção, a pedido da musica - a banda se consolidou em estúdio até o som sair pelas paredes.
SoundCloud
Facebook
Site
Youtube
Versão de Disparada, famosa canção escrita por Geraldo Vandré e Théo de Barros e interpretada por Jair Rodrigues
Chocolate Amargo ( Hey Joe Theatro Municipal de Niterói)
Blues Brasileiro Foragido Americano
A primeira banda é Facção Caipira, uma banda de Blues Rock bastante interessante.
Segue a descrição posta em seu Facebook:
Grupo de indivíduos partidários lutando pela mesma causa: Um blues pra lá de rock ‘n roll.
Caipira indisposto a seguir tendências, trilha de sandálias fazendo barulho por todo lugar que passa.
E assim que tiraram os freios dessa carroça, sem direção hidráulica ou ar condicionado, FACÇÃO CAIPIRA toma a estrada da musica a todo galope!
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Versão de Disparada, famosa canção escrita por Geraldo Vandré e Théo de Barros e interpretada por Jair Rodrigues
Chocolate Amargo ( Hey Joe Theatro Municipal de Niterói)
Blues Brasileiro Foragido Americano
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Crítica: Master of Rings - Helloween
Toda banda tem seus altos e baixos, é normal. Toda banda também passa por fases difíceis, brigas, desentendimentos e catástrofes. O Helloween, no final da década de 80 e no início da década de 90, parecia que estava passando por todos esses percalços ao mesmo tempo. A banda tinha lançado dois discos muito controversos nessa época, o Pink Bubbles Go Aple (de 1991) e o "progressive-pop" Chameleon (de 1993), considerado até hoje um dos álbuns mais "esquisitos" da banda de todos os tempos.
O fracasso de vendas de ambos os discos foi tão traumático que forçou eles abandonar o contrato com a lucrativa EMI.
Soma-se isso aos problemas internos que a banda estava passando naquele momento. Michael Kiske, o vocalista clássico, resolve sair da banda no final da turnê do disco Chameleon para se lançar numa carreira solo (sem muitos trunfos) e o baterista/co-fundador da banda, Ingo Schwichtenberg, se envolve em incidentes com drogas no Japão e acaba se afastando do grupo.
Tudo havia se desmantelado do nada.
A banda, se quisesse continuar sua carreira, deveria recomeçar do zero.
E foi o que eles fizeram.
Michael Kiske foi substituído por Andi Deris (do Pink Cream 69) e Ingo Schwichtenberg foi substituído por Richie Abdel-Nabi (Babylon 27 e Das Auge Gottes) e, em seguida, por Uli Kusch (do Gamma Ray).
A banda assinou com uma gravadora independente da Inglaterra, a Castle Communications, muito menor que a EMI mas que tinha certa importância cultural nos anos 80, responsável por realizar muitas compilações de discos de Heavy Metal com a série "Metal Killers", o que levou-a formatar seu próprio selo especializado no estilo, o "Raw Power".
Toda essa movimentação da banda culminou no Master of Rings, de 1994, um disco que retorna as origens do Power Metal que consagrou a banda.
Trata-se de um daqueles discos que se aproveita 100%. Não há nenhuma música ruim ou mediana no disco inteiro. Sole Survivor, Where the Rain Grows, Why?, Secret Alibi e Still We Go são representantes notáveis do estilo clássico da banda, ótimas músicas e muito bem executadas.
Take Me Home é outra música sensacional, pesada, mas que foge totalmente da linha tradicional da banda.
Mr. Ego é outra excelente música e chama muito atenção por um motivo muito particular, a letra. Há rumores interessantes de que a letra, que é um escárnio total, fosse dedicada ao ex-vocalista Michael Kiske, como forma de provocação.
Perfect Gentleman, é outra música interessante, com uma pegada melódica meio "medieval" e com uma letra muito engraçada.
The Game is On é outra música boa do disco e também uma prova de que é possível flertar com experimentalismo sem que pra isso seja necessário sacrificar a qualidade e a identidade da banda. A música trata sobre o vício e video-game e, para ambientar o tema, utiliza samples de sons de jogos como Tetris acompanhando os riffs de guitarra. O resultado é bem interessante.
In The Middle Of A Heartbeat é uma balada romântica, no melhor estilo Heavy n' Hard, lembrando um pouco o Accept, outra ótima banda alemã.
O saldo final é bem positivo.
Tanto a qualidade quanto as vendas do disco foram bem sucedidas.
Quando esse disco estreou, em muitos países, chegou a ser um dos álbuns mais vendidos do ano.
Master of Rings representa o Helloween nascendo novamente, virando a mesa do jogo, desafiando o destino e mostrando uma determinação fora de série. A energia foi tão forte que deu a impressão da banda estar lançando o seu primeiro disco, novamente.
Acho que nada explica melhor esse espírito do que a letra da música que encerra o disco, Still We Go
No começo
Do nada
Nós tivemos um sonho
E agora é Helloween
Aumente a velocidade para um limite maior
Mude a marcha, estamos perdendo nosso ânimo
Não vamos seguir seu conselho especial
Estamos próximos a um esgotamento de metal
Sirenes para avisar do nosso derretimento
Não pudemos ver aquela manchete
Agora vemos um horizonte
Estaremos aqui para ficar
Se você não consegue ver nosso sinal
Você deve ser cego
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Na rodovia de metal
Mesmo assim nós vamos
Avise, não morra em nossos joelhos
Brilhe, orgulho como podemos ser
Chegou a hora de parar de te agradar
Ei, cara, vamos nos reunir
Nossa força durará para sempre
Nos empurre o máximo que puder
Agora vemos um horizonte
Estaremos aqui para ficar
Se você não consegue ver nosso sinal
Você deve ser cego
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Na rodovia de metal
Mesmo assim nós vamos
Quantas vezes
Um homem deve cruzar a linha de chegada
Para encontrar o caminho certo
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Mesmo assim nós vamos
Na rodovia de metal
Mesmo assim nós vamos
Video-Clipe de When the Rain Grows:
Video-Clipe de Perfect Gentleman
terça-feira, 5 de agosto de 2014
O classic rock está atrapalhando o rock, principalmente no Brasil
A cena surpreendeu quem estava no estúdio e os ouvintes de uma das mais populares emissoras de rádio da África do Sul. O Deep Purple estava inteiro nos estúdios amplos na Cidade do Cabo, onde deveria se apresentar naquela noite, no segundo semestre de 2005, na turnê do razoável álbum “Rapture of the Deep''. Entrevista morna, apresentador e jornalistas pouco informados e pouco estimulados, e eis que uma pergunta sobre o posicionamento da banda no mercado desperta a fúria de Ian Gillan, o vocalista.
Sem se dirigir especificamente a alguém, disparou sem ser interrompido: “Depois que inventaram essa história de classic rock, fomos exilados a um nicho de mercado que nos condena a tocar as mesmas músicas para as mesmas pessoas de sempre. O classic rock nos limita a uma faixa de mercado que impede que consigamos divulgar nossa música em toda a sua plenitude. É maravilhoso que sejamos reconhecidos pelo que criamos em 'Smoke on the Water' ou 'Highway Star', mas, caso alguém se importe em saber, fizemos muito mais coisas depois disso, boas ou ruins, mas fizemos. Agora mesmo estamos divulgando novo álbum, mas as pessoas só querem saber do que gravamos 35 anos atrás, das histórias que vivemos na Suíça em 1971 ou no Japão em 1972, ou até mesmo por que Ritchie (Blackmore) não está mais na banda. Santo deus, isso ocorreu há 12 anos e ainda nos perguntam isso, como agora nesta entrevista. O rótulo classic rock é pernicioso e pode no futuro prejudicar o próprio gênero musical, amarrar o rock em uma camisa de força em que o novo será diluído de tal forma que sucumbirá às músicas de sempre, que por sua vez se consumirão de tal forma de que nada restará.''
As proféticas palavras de Gillan se materializaram nove anos depois, em uma realidade de mercado que está privilegiando o certo em relação ao duvidoso, onde o risco foi escanteado e as novidades ficam cada vez mais relegadas a espaços alternativos. Para músicos e profissionais envolvidos com música, especialmente no Brasil, o predomínio ilusório dentro do rock do rótulo “classic'' e consequência direta do novo modo de se relacionar com a música – e que necessariamente não é uma coisa boa infelizmente.
“O mercado musical como um todo, em todo o mundo, está menor e mais pulverizado. Ao mesmo tempo, a música perdeu um pouco de sua importância na vida das pessoas. Hoje percebemos que há menos disposição das pessoas em procurar pelo novo, em curtir e saborear a produção, seja de um grande artista ou de um iniciante. O avanço da tecnologia, tão esperado e ansiado por todos, tem o seu lado ruim: diluiu a música e arte em geral, tornando-as supérfluas. Por conta disso, o ouvinte/fã de música atual se contenta com pouco e não valoriza mais o que ouve e quem toca. E, curiosamente, no Brasil esse fenômeno atingiu em cheio o rock. Tente lembrar qual foi o último grande hit do rock nacional…'', lamenta um executivo importante do mercado musical brasileiro, que pediu para não ser identificado.
Quem vai a um show do U2, dos Rolling Stones ou do Black Sabbath não tem o menor interesse em ouvir as músicas novas do último álbum. Ouvintes preguiçosos e acomodados só querem ouvir “Sunday Bloody Sunday'', “Satisfaction'' e “War Pigs''. A coisa piora quando observamos o que ocorre nos palcos dos botecos europeus, brasileiros e norte-americanos: só músicos tocando covers, de preferência versões de sucessos antigos, gravados no mínimo há mais de 20 anos. Hits mais recentes? No máximo alguma coisa de Coldplay e Radiohead, e dos primeiros álbuns.
O desespero é geral nas grandes cidades brasileiras. Nos poucos locais onde ainda se pode ouvir rock, quase não se vê trabalho autoral. Cinco dias por semana são dedicados aos “clássicos'' do rock e do pop rock, geralmente executados por instrumentistas desmotivados para um público que normalmente os ignora, exceto quando algum megahit do passado é executado.
Os festivais de rock ainda resistem em algumas cidades, mas com um público bastante específico, me geral na área do heavy metal. Os grandes eventos, do porte de um Planeta Rock ou Abril Pro Rock, ainda dependem de um “nomão das antigas'' parta garantir público – ou, ao menos, algum público. O Planeta Rock, por exemplo, ocorrerá em agosto em São José do Rio Preto, capitaneado por Ira! e Ultraje a Rigor, na ativa há 33 anos, Raimundos, que surgiu no começo dos naos 90, e a banda carioca Detonautas, que aos 15 anos de carreira caiu no caldeirão do classic rock. Cadê uma banda nova? Ou mesmo alternativa?
É mais do que óbvio que o classic rock precisa ter o seu espaço, só que, quando ele predomina, e de forma ostensiva, como no Brasil atualmente, todos perdem, justamente em um momento em que o rock, como um todo, perde cada vez mais espaço para o abominável funk de inspiração carioca e para gêneros de qualidade no mínimo questionável, como o pagode e o sertanejo.
Renato Lacerda, que trabalha como contador, é guitarrista do Sarkastic, de São Paulo. Sua banda já gravou duas demos com seis músicas próprias cada, na linha do metal tradicional. Há seis meses não consegue agendar uma apresentação, mesmo com o quinteto se dispondo a tocar de graça. “Ninguém nem para para nos ouvir quando dizemos que temos trabalho autoral. Não tem lugar na Grande São Paulo para tocar. são raros os bares como o Blackmore e o Manifesto, que têm uma agenda lotada e fila de bandas esperando uma chance. Simplesmente não dá.''
Para conseguir tocar por cachês simbólicos, o Sarkastic faz covers do Iron Maiden em algumas festas e bares da zona oeste de São Paulo. “Só assim para ter o gostinho de tocar. E ainda assim temos problemas, pois a galera, em vários locais, só quer ouvir as mesmas três musicas conhecidas do Iron. Uma vez fizemos um repertório com coisas bem legais, mas não tão conhecidas em um bar na zona norte de São Paulo, e teve gente que reclamou com o dono do bar. Nunca mais recebemos convite daquele lugar'', reclama Lacerda.
Toninho Pires sofre com os mesmos problemas. Fotógrafo publicitário, costuma dizer que sua profissão é a música, ainda que seus palcos sejam bares e restaurantes pouco glamourosos da Grande São Paulo. Em dupla com parceiro Ricardinho (teclados, percussão e voz), o violonista e guitarrista ensaia uma tímida carreira autoral, apostando em um pop rock simples com viés de MPB. Vende um CD demo nas apresentações por R$ 5, gravado de forma apressada e sem requintes de produção. O problema é na hora de exibir as canções próprias.
“Não me lembro da última vez em que toquei uma música minha. Tenho de respirar muito fundo para suportar tocar as mesmas músicas de sempre da Legião Urbana, do Paralamas do Sucesso, do Ultraje a Rigor, Raul Seixas… Nada contra esses artistas, o problema é que só isso. Público e proprietários só querem isso. Já teve bar que me proibiu de tocar músicas próprias.Em outro, tive que mostrar com antecedência as músicas, e não acreditei que algumas foram vetadas pelo dono do local porque ele achava que não eram conhecidas'', diz Pires resignado.
O classic está matando o rock? Quem diria que um dia estaríamos discutindo tamanha heresia. Se não não está matando, certamente está contribuindo para a sua asfixia. É só observar quem é que consegue ainda algum tipo de vínculo com uma gravadora e colocar seus álbuns nas lojas de todo o país – Titãs, com “Nheengatu'', Skank, com “Velocia'', e Pitty, com “Setevidas'', por exempl0.
Existe algo que se possa fazer no médio prazo para abrir espaço aos novos artistas, sem que seja necessário satanizar os clássicos e veteranos? “Tocar, tocar e tocar cada vez mais, e cada vez melhor, para três pessoas ou para mil pessoas. Fazer com que o próximo show seja melhor do que o anterior. É só isso o que resta para para artistas independentes. Trabalho de qualidade e persistência são fundamentais para que a música seja reconhecida. Reclamar não só não ajuda como piora as coisas'', recomenda Beto Bruno, cantor da bem-sucedida banda independente Cachorro Grande, do Rio Grande do Sul.
Por Marcelo Moreira.
Matéria publicada originalmente na Combate Rock no dia 04/08/2014 às 06:49
Sem se dirigir especificamente a alguém, disparou sem ser interrompido: “Depois que inventaram essa história de classic rock, fomos exilados a um nicho de mercado que nos condena a tocar as mesmas músicas para as mesmas pessoas de sempre. O classic rock nos limita a uma faixa de mercado que impede que consigamos divulgar nossa música em toda a sua plenitude. É maravilhoso que sejamos reconhecidos pelo que criamos em 'Smoke on the Water' ou 'Highway Star', mas, caso alguém se importe em saber, fizemos muito mais coisas depois disso, boas ou ruins, mas fizemos. Agora mesmo estamos divulgando novo álbum, mas as pessoas só querem saber do que gravamos 35 anos atrás, das histórias que vivemos na Suíça em 1971 ou no Japão em 1972, ou até mesmo por que Ritchie (Blackmore) não está mais na banda. Santo deus, isso ocorreu há 12 anos e ainda nos perguntam isso, como agora nesta entrevista. O rótulo classic rock é pernicioso e pode no futuro prejudicar o próprio gênero musical, amarrar o rock em uma camisa de força em que o novo será diluído de tal forma que sucumbirá às músicas de sempre, que por sua vez se consumirão de tal forma de que nada restará.''
As proféticas palavras de Gillan se materializaram nove anos depois, em uma realidade de mercado que está privilegiando o certo em relação ao duvidoso, onde o risco foi escanteado e as novidades ficam cada vez mais relegadas a espaços alternativos. Para músicos e profissionais envolvidos com música, especialmente no Brasil, o predomínio ilusório dentro do rock do rótulo “classic'' e consequência direta do novo modo de se relacionar com a música – e que necessariamente não é uma coisa boa infelizmente.
“O mercado musical como um todo, em todo o mundo, está menor e mais pulverizado. Ao mesmo tempo, a música perdeu um pouco de sua importância na vida das pessoas. Hoje percebemos que há menos disposição das pessoas em procurar pelo novo, em curtir e saborear a produção, seja de um grande artista ou de um iniciante. O avanço da tecnologia, tão esperado e ansiado por todos, tem o seu lado ruim: diluiu a música e arte em geral, tornando-as supérfluas. Por conta disso, o ouvinte/fã de música atual se contenta com pouco e não valoriza mais o que ouve e quem toca. E, curiosamente, no Brasil esse fenômeno atingiu em cheio o rock. Tente lembrar qual foi o último grande hit do rock nacional…'', lamenta um executivo importante do mercado musical brasileiro, que pediu para não ser identificado.
Quem vai a um show do U2, dos Rolling Stones ou do Black Sabbath não tem o menor interesse em ouvir as músicas novas do último álbum. Ouvintes preguiçosos e acomodados só querem ouvir “Sunday Bloody Sunday'', “Satisfaction'' e “War Pigs''. A coisa piora quando observamos o que ocorre nos palcos dos botecos europeus, brasileiros e norte-americanos: só músicos tocando covers, de preferência versões de sucessos antigos, gravados no mínimo há mais de 20 anos. Hits mais recentes? No máximo alguma coisa de Coldplay e Radiohead, e dos primeiros álbuns.
O desespero é geral nas grandes cidades brasileiras. Nos poucos locais onde ainda se pode ouvir rock, quase não se vê trabalho autoral. Cinco dias por semana são dedicados aos “clássicos'' do rock e do pop rock, geralmente executados por instrumentistas desmotivados para um público que normalmente os ignora, exceto quando algum megahit do passado é executado.
Os festivais de rock ainda resistem em algumas cidades, mas com um público bastante específico, me geral na área do heavy metal. Os grandes eventos, do porte de um Planeta Rock ou Abril Pro Rock, ainda dependem de um “nomão das antigas'' parta garantir público – ou, ao menos, algum público. O Planeta Rock, por exemplo, ocorrerá em agosto em São José do Rio Preto, capitaneado por Ira! e Ultraje a Rigor, na ativa há 33 anos, Raimundos, que surgiu no começo dos naos 90, e a banda carioca Detonautas, que aos 15 anos de carreira caiu no caldeirão do classic rock. Cadê uma banda nova? Ou mesmo alternativa?
É mais do que óbvio que o classic rock precisa ter o seu espaço, só que, quando ele predomina, e de forma ostensiva, como no Brasil atualmente, todos perdem, justamente em um momento em que o rock, como um todo, perde cada vez mais espaço para o abominável funk de inspiração carioca e para gêneros de qualidade no mínimo questionável, como o pagode e o sertanejo.
Renato Lacerda, que trabalha como contador, é guitarrista do Sarkastic, de São Paulo. Sua banda já gravou duas demos com seis músicas próprias cada, na linha do metal tradicional. Há seis meses não consegue agendar uma apresentação, mesmo com o quinteto se dispondo a tocar de graça. “Ninguém nem para para nos ouvir quando dizemos que temos trabalho autoral. Não tem lugar na Grande São Paulo para tocar. são raros os bares como o Blackmore e o Manifesto, que têm uma agenda lotada e fila de bandas esperando uma chance. Simplesmente não dá.''
Para conseguir tocar por cachês simbólicos, o Sarkastic faz covers do Iron Maiden em algumas festas e bares da zona oeste de São Paulo. “Só assim para ter o gostinho de tocar. E ainda assim temos problemas, pois a galera, em vários locais, só quer ouvir as mesmas três musicas conhecidas do Iron. Uma vez fizemos um repertório com coisas bem legais, mas não tão conhecidas em um bar na zona norte de São Paulo, e teve gente que reclamou com o dono do bar. Nunca mais recebemos convite daquele lugar'', reclama Lacerda.
Toninho Pires sofre com os mesmos problemas. Fotógrafo publicitário, costuma dizer que sua profissão é a música, ainda que seus palcos sejam bares e restaurantes pouco glamourosos da Grande São Paulo. Em dupla com parceiro Ricardinho (teclados, percussão e voz), o violonista e guitarrista ensaia uma tímida carreira autoral, apostando em um pop rock simples com viés de MPB. Vende um CD demo nas apresentações por R$ 5, gravado de forma apressada e sem requintes de produção. O problema é na hora de exibir as canções próprias.
“Não me lembro da última vez em que toquei uma música minha. Tenho de respirar muito fundo para suportar tocar as mesmas músicas de sempre da Legião Urbana, do Paralamas do Sucesso, do Ultraje a Rigor, Raul Seixas… Nada contra esses artistas, o problema é que só isso. Público e proprietários só querem isso. Já teve bar que me proibiu de tocar músicas próprias.Em outro, tive que mostrar com antecedência as músicas, e não acreditei que algumas foram vetadas pelo dono do local porque ele achava que não eram conhecidas'', diz Pires resignado.
O classic está matando o rock? Quem diria que um dia estaríamos discutindo tamanha heresia. Se não não está matando, certamente está contribuindo para a sua asfixia. É só observar quem é que consegue ainda algum tipo de vínculo com uma gravadora e colocar seus álbuns nas lojas de todo o país – Titãs, com “Nheengatu'', Skank, com “Velocia'', e Pitty, com “Setevidas'', por exempl0.
Existe algo que se possa fazer no médio prazo para abrir espaço aos novos artistas, sem que seja necessário satanizar os clássicos e veteranos? “Tocar, tocar e tocar cada vez mais, e cada vez melhor, para três pessoas ou para mil pessoas. Fazer com que o próximo show seja melhor do que o anterior. É só isso o que resta para para artistas independentes. Trabalho de qualidade e persistência são fundamentais para que a música seja reconhecida. Reclamar não só não ajuda como piora as coisas'', recomenda Beto Bruno, cantor da bem-sucedida banda independente Cachorro Grande, do Rio Grande do Sul.
Por Marcelo Moreira.
Matéria publicada originalmente na Combate Rock no dia 04/08/2014 às 06:49
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